Mensagens de Vorcaro indicam contrato de Gabriela Prioli para produzir vídeos sobre o Banco Master
Conversas obtidas pelo Estadão mostram que banqueiro acompanhava roteiros e sugeria alterações em conteúdos da influenciadora, que negou ter sido contratada para defender a instituição

Foto: Redes Sociais
Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, indicam que a advogada e influenciadora Gabriela Prioli mantinha um contrato de 12 meses para produzir conteúdos relacionados à instituição financeira. Segundo informações divulgadas pelo Estadão, o banqueiro acompanhava a preparação dos vídeos e sugeria alterações antes das publicações.
As conversas foram trocadas com Ana Matos, que atuou como superintendente de Comunicação e Marketing do banco entre 2023 e 2025. Os diálogos também apontam para uma estratégia de comunicação que previa a participação de cerca de 15 influenciadores com diferentes posições políticas. A iniciativa buscava rebater críticas da imprensa e defender a imagem do Master em meio às dificuldades enfrentadas pela instituição, investigada por suspeitas de fraudes bilionárias.
Em 4 de abril de 2025, Vorcaro elogiou a contratação de Prioli e classificou a escolha como uma “ótima tacada”. No dia seguinte, ao comentar um conteúdo da influenciadora, sugeriu que ela mencionasse o banqueiro e as críticas feitas à instituição. “Isso aqui é muito bom. Acho que no texto ela tem que me citar e os ataques pra explicar as fake news”, escreveu.
Na mesma conversa, Ana Matos confirmou que o contrato de Prioli tinha duração de 12 meses e informou que outros influenciadores participariam da estratégia por um período inicial de três meses, com possibilidade de renovação. Vorcaro também pediu mudanças no roteiro, incluindo a retirada de referências ao PT e de uma menção ao suposto preconceito de outros banqueiros contra ele.
Um dos vídeos, publicado no início de abril e posteriormente apagado, abordava as críticas ao Banco Master e os rendimentos oferecidos por bancos médios em investimentos de renda fixa. Na gravação, Prioli afirmava que acompanhava o assunto porque começaria uma série sobre dinheiro e economia, “não como especialista, mas como interessada”.
Após a publicação, Ana Matos relatou ao banqueiro que havia recebido mensagens de pessoas interessadas em saber detalhes da contratação. Segundo ela, o acordo era mantido em sigilo.
Conteúdos sobre investimentos e críticas à imprensa
As conversas indicam que Vorcaro também acompanhava conteúdos relacionados aos produtos financeiros do banco. Em 18 de abril, ele sugeriu que Prioli gravasse um vídeo sobre os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Master, com o objetivo de incentivar investidores a manter recursos aplicados na instituição. Em uma gravação que voltou a circular recentemente, a influenciadora mencionou a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para esse tipo de investimento.
Em 28 de maio, ao comentar outro conteúdo em preparação, Vorcaro orientou que a abordagem fosse direcionada à imprensa. “Tem que bater em jornalista não no BTG”, escreveu.
Em julho, Ana Matos enviou ao banqueiro um vídeo gravado por Prioli antes da publicação. Após assistir ao material, Vorcaro pediu alterações. Dois dias depois, a funcionária informou que a influenciadora havia incorporado as sugestões e perguntou se poderia divulgar o conteúdo.
Na mensagem, Ana destacou que Prioli tinha mais de 6 milhões de seguidores e afirmou que o banco precisava de apoio diante da situação enfrentada. Vorcaro, no entanto, decidiu adiar a publicação porque o noticiário estava concentrado nas sanções anunciadas pelo governo de Donald Trump contra o ministro Alexandre de Moraes, em 30 de julho de 2025, com base na Lei Magnitsky.
No dia seguinte, Ana encaminhou ao banqueiro links de dois conteúdos temporários publicados por Prioli nas redes sociais. As publicações não estão mais disponíveis.
Em janeiro deste ano, Gabriela Prioli negou ter sido contratada para defender o Banco Master. Na ocasião, afirmou que não fazia parte da rede de influenciadores que, segundo ela, teria sido contratada por Vorcaro para atacar o Banco Central durante a análise da compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB).
As mensagens divulgadas pelo Estadão indicam a existência de um contrato e mostram interlocutores do banco discutindo roteiros, alterações e o momento de publicação dos vídeos. Procurada pelo jornal, Prioli não se manifestou sobre os diálogos. Ana Matos também foi procurada, mas não respondeu.
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