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Além dos jogadores: profissionais dos bastidores ajudam a construir o espetáculo do futebol

Profissionais como fotógrafos e gandulas revelam a rotina intensa e invisível por trás das partidas e mostram que o espetáculo do futebol vai muito além do campo

| Autor: Beatriz Dias
Além dos jogadores: profissionais dos bastidores ajudam a construir o espetáculo do futebol

Foto: Ilustrativa

Quando a bola rola, os olhares da torcida costumam estar voltados para os jogadores, treinadores e para o placar. Mas longe dos holofotes, profissionais desempenham funções fundamentais para que o futebol aconteça dentro e fora das quatro linhas. Entre eles estão fotógrafos e gandulas, que convivem diariamente com os bastidores do esporte e ajudam a construir histórias que muitas vezes passam despercebidas pelo público.

Há quatro anos, Victor Ferreira atua como fotógrafo oficial do Esporte Clube Vitória. Formado em Jornalismo, ele descobriu a paixão pela fotografia ainda na faculdade e transformou o interesse em profissão. Para ele, o trabalho vai muito além de registrar imagens.

“O fotógrafo do clube é o olho do clube”, resume.

Apesar de o torcedor ver apenas as fotos publicadas nas redes sociais e nos veículos de comunicação, a rotina começa muito antes do apito inicial. Segundo Victor, a equipe costuma chegar ao estádio cerca de três horas antes das partidas para registrar desde o vestiário até o aquecimento dos atletas.

“A gente costuma chegar três horas antes. Fotografa o estádio, o vestiário, o aquecimento e, durante a partida, faz, edita e entrega as fotos em tempo real. Depois do jogo ainda tem todo o trabalho de edição do material bruto. A gente vive uma jornada de mais ou menos 12 horas por jogo”, afirma.

Enquanto Victor registra os momentos que entram para a história dos clubes, Nika ajuda a garantir que o jogo aconteça da melhor maneira possível. Conhecido nos estádios baianos pelo trabalho como gandula, ele exerce a função há 12 anos e acompanha partidas de perto, muitas vezes a poucos metros dos atletas.

Segundo Nika, antes de cada partida os gandulas recebem orientações da arbitragem sobre os procedimentos de reposição de bola, uma responsabilidade que exige atenção constante durante os 90 minutos.

“As pessoas veem a gente apenas como repositor de bola”, conta.

A convivência diária nos bastidores faz com que tanto fotógrafos quanto gandulas conheçam um lado do futebol que dificilmente chega ao conhecimento do torcedor. Para Victor, quem está fora do ambiente esportivo não consegue dimensionar a intensidade da rotina dentro dos clubes.

“As pessoas não têm noção de como funciona um vestiário, um treino, as cobranças e a pressão. Só quem vive dentro do futebol sabe”, destaca.

Nika compartilha dessa visão. Ao longo da carreira, ele acompanhou grandes competições e presenciou momentos que muitos torcedores gostariam de viver. Um dos mais marcantes aconteceu durante a Copa América de 2019.

“Ver vários astros do futebol sul-americano foi incrível. Presenciei Messi, James Rodríguez, Gabriel Jesus, entre outros. Foi maravilhoso”, relembra.

A proximidade com o futebol também proporcionou experiências inesquecíveis para Victor. Torcedor do Vitória, ele destaca o título da Série B de 2023 como o momento mais especial da carreira.

“Foi o primeiro título nacional do clube e também o meu primeiro título trabalhando no Vitória. Não era só um título. Era a retomada do clube no cenário nacional”, afirma.

Se para Victor os títulos representam imagens que serão lembradas para sempre, para Nika os bastidores também reservam histórias curiosas. Ele recorda uma partida do Campeonato Brasileiro Sub-20 que precisou ser interrompida após uma forte chuva deixar o gramado impraticável.

“O campo ficou muito encharcado. Peguei um rodo para tentar tirar a água perto dos gols, mas não teve jeito e o jogo foi adiado para o dia seguinte”, conta.

Embora exerçam funções diferentes, os dois profissionais compartilham a mesma sensação de fazer parte do espetáculo. Victor afirma que a convivência diária cria laços com jogadores, treinadores e funcionários dos clubes, enquanto Nika destaca a emoção de acompanhar tudo tão de perto.

“Eu digo que a gente passa mais tempo no clube do que com nossas famílias”, comenta o fotógrafo.

“É surreal você ver as conversas dos jogadores, os técnicos agitados e a torcida cantando sem parar”, acrescenta o gandula.

Mesmo sem a visibilidade dos atletas, ambos sabem da importância de seus trabalhos para o futebol. Seja registrando momentos históricos ou garantindo que a bola continue rolando, eles ajudam diariamente a construir um espetáculo que vai muito além das quatro linhas.

“O espetáculo em campo é deles. Estamos ali para cumprir nosso papel”, conclui Nika.

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