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Geração “nem-nem”: por que milhões de jovens no Brasil não estudam nem trabalham?

Dados do IBGE mostram que desigualdade social, raça e gênero influenciam o aumento de jovens fora da escola e do mercado de trabalho

| Autor: Bruno Oliveira
Geração “nem-nem”: por que milhões de jovens no Brasil não estudam nem trabalham?

Foto: Ilustrativa gerada por IA

No Brasil, mais de 8 milhões de jovens entre 15 e 29 anos não estudavam nem trabalhavam em 2024. O número equivale a 18,5% dessa população, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Embora o índice represente uma queda em relação a anos anteriores, o fenômeno dos chamados “nem-nem” continua sendo um dos principais desafios sociais do país, revelando desigualdades profundas que atingem principalmente mulheres, jovens negros e pessoas de baixa renda.

De acordo com pesquisas, essa realidade está longe de ser resultado de “falta de vontade”. Entre os jovens mais pobres, a situação é ainda mais grave: quase metade (49,3%) dos jovens de domicílios com menor renda não estuda nem trabalha, enquanto entre os mais ricos esse índice é de apenas 6,6%.

Os dados também mostram que as mulheres são maioria nessa condição: 24,7%, contra 12,5% dos homens. Além disso, jovens pretos e pardos são mais afetados (21,1%), em comparação aos jovens brancos (14,4%). Os números indicam que o fenômeno está diretamente relacionado à desigualdade social, racial e de gênero.

Entre os principais motivos, muitos jovens abandonam a escola para trabalhar e ajudar na renda familiar. Outros deixam os estudos por falta de interesse, dificuldades de aprendizagem ou situações como a gravidez precoce.

Sem formação adequada, as chances de conseguir emprego diminuem, criando um ciclo difícil de romper.

No entanto, existem diferentes realidades dentro do grupo dos “nem-nem”. Muitas mulheres, por exemplo, se dedicam ao cuidado da casa e da família. Além disso, parte desses jovens está à procura de emprego ou envolvida em atividades informais que não aparecem nas estatísticas oficiais.

Dessa forma, os jovens “nem-nem” não formam um grupo homogêneo nem necessariamente desinteressado. Eles representam, na verdade, o retrato de um país onde as oportunidades ainda não chegam para todos.

Entender as causas desse fenômeno é fundamental para enfrentar o problema e evitar que milhões de jovens permaneçam à margem do desenvolvimento social e econômico.

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