O peso do diagnóstico: Por que mulheres doentes são as maiores vítimas de abandono afetivo?
O apoio afetivo é parte importante do processo de recuperação, a ausência dele pode tornar o processo de cura doloroso e solitário.

Foto: Istock
Encorajadas desde a infância a serem mais cuidadosas e afetuosas, as mulheres ainda são as maiores afetadas pelo abandono quando estão doentes. A negligência emocional em casos de diagnósticos de doenças graves, em sua maior parte, acontece por seus parceiros e companheiros.
Em pesquisa realizada em 2019 pelas universidades americanas de Stanford , Utah e do Centro de Pesquisa Seattle Cancer Alliance, indicou-se que mulheres possuem 6 vezes mais chances de serem abandonadas pelos parceiros após receber diagnósticos complexos.
O dado mostra uma realidade cada vez mais vista em consultórios e emergências médicas.
E é justamente no momento em que mais precisam de apoio que muitas mulheres enfrentam o abandono. O processo de tratamento de doenças como o lúpus ou o câncer afeta diversos campos da vida de uma pessoa, perda de autonomia e a quebra da rotina, fragilizando a saúde mental e a autoestima de quem passa pela doença.
Além de lidar com a condição da doença, a mulher enferma também enfrenta o abandono do apoio emocional e até mesmo financeiro, uma vez que o homem ainda é estatisticamente o provedor financeiro do lar.
Um dos casos mais emblemáticos da atualidade foi o da cantora Preta Gil, que, durante o tratamento para o câncer no intestino, segundo a mesma, foi vítima de uma traição seu então esposo Rodrigo Godoy com sua estilista. A traição teria acontecido enquanto Preta realizava os tratamentos de quimioterapia e radioterapia. O caso chamou atenção por escancarar a realidade de milhares de mulheres que são diagnosticadas ou estão em processo de luta contra a doença.
A sensação de abandono e a falta de apoio de seu companheiro podem afetar psicologicamente as vítimas de doenças graves como câncer. A pessoa enferma tem que lidar com sentimentos de ansiedade, depressão, medo e insegurança e, em situações como a da cantora Preta Gil, também lidar com o sentimento de abandono.
A discussão sobre o abandono de mulheres doentes ainda precisa ganhar espaço e se expandir para além de relatos pessoais. Questões de saúde mental, afetivas, responsabilidade emocional e desigualdade de gênero fazem parte de um problema pouco falado em sociedade. A criação de redes de acolhimento psicológico e social, tanto para pacientes quanto para familiares, pode contribuir para reduzir os impactos enfrentados por mulheres em situação de vulnerabilidade que estão passando por tratamento de doenças graves.
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