Vírus Nipah: doença rara e altamente letal volta a preocupar autoridades de saúde
Sem vacina ou tratamento específico, vírus reaparece na Índia e reforça alerta sanitário internacional

Foto: Divulgação
Nos últimos dias, o vírus Nipah, uma doença rara e altamente letal, voltou ao centro das atenções mundiais após a confirmação de novos casos na Índia, no fim de 2025 e início de 2026, reacendendo preocupações em países da Ásia. Embora a Organização Mundial da Saúde (OMS) avalie o risco de disseminação global como baixo, especialistas alertam que o histórico do vírus exige vigilância constante.
O Nipah é um vírus zoonótico, ou seja, transmitido de animais para humanos, pertencente à família Paramyxoviridae, do gênero Henipavirus. A infecção pode provocar desde sintomas leves até quadros graves de encefalite (inflamação do cérebro) e insuficiência respiratória, frequentemente levando à morte.
Origem e descoberta
O vírus foi identificado pela primeira vez entre 1998 e 1999, durante um surto na Malásia que afetou trabalhadores de fazendas de suínos. Na ocasião, mais de 300 pessoas foram infectadas e cerca de 100 morreram. O nome “Nipah” vem da vila Sungai Nipah, onde um dos primeiros casos humanos foi registrado.
Desde então, surtos esporádicos têm sido registrados principalmente no Sul e Sudeste da Ásia, com destaque para Bangladesh e Índia, países que enfrentam episódios recorrentes da doença.
Como ocorre a transmissão
Os morcegos frugívoros do gênero Pteropus são os principais reservatórios naturais do vírus e podem transmiti-lo sem apresentar sintomas. A infecção em humanos ocorre principalmente por:
- Contato direto com animais infectados, como porcos;
- Consumo de alimentos contaminados, especialmente frutas ou sucos de palma expostos à saliva ou urina de morcegos;
- Transmissão entre pessoas, por meio de contato próximo com fluidos corporais, comum em ambientes hospitalares.
Sintomas da infecção
O período de incubação geralmente varia entre 4 e 14 dias, podendo chegar a até 45 dias em alguns casos. Os sintomas iniciais incluem:
- Febre alta;
- Dor de cabeça intensa;
- Cansaço;
- Náuseas e vômitos;
- Tosse e dor de garganta.
Em casos mais graves, a doença pode evoluir rapidamente para:
- Encefalite, com confusão mental e convulsões;
- Dificuldade respiratória severa;
- Coma em até 48 horas.
O Nipah é considerado um dos vírus mais letais do mundo. A taxa de mortalidade varia entre 40% e 75%, podendo ser ainda maior em regiões com sistemas de saúde menos estruturados. Atualmente, não existe vacina nem tratamento antiviral específico, e o atendimento é baseado apenas em cuidados de suporte.
Casos recentes na Índia e repercussão na Ásia
No fim de 2025, autoridades indianas confirmaram casos de Nipah no estado de West Bengal, envolvendo inclusive profissionais de saúde. Mais de 190 contatos próximos foram monitorados e, até o momento, não foi identificada transmissão comunitária sustentada.
A OMS informou que o risco permanece moderado localmente e baixo em níveis regional e global. Ainda assim, países como Tailândia, Singapura, Indonésia, Vietnã e China reforçaram protocolos de vigilância sanitária, incluindo triagens em aeroportos.
Situação em outros países asiáticos
O Bangladesh registra casos quase todos os anos, frequentemente associados ao consumo de suco de palma cru contaminado, e apresenta algumas das maiores taxas de letalidade, que podem ultrapassar 70%. Malásia, Filipinas e Singapura também já notificaram episódios da doença ao longo das últimas décadas.
Alerta para o futuro
Especialistas destacam que o vírus Nipah representa uma ameaça constante devido à crescente interação entre humanos, animais silvestres e ambientes naturais, além da ausência de vacinas. O ressurgimento de casos na Índia reforça a importância da vigilância epidemiológica, da transparência nas notificações e da cooperação internacional para evitar novos surtos de grandes proporções.
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