TSE determina que Nikolas Ferreira apague vídeo que distorce fala de Lula sobre crianças
Ministra Estela Aranha considerou que deputado retirou declaração do presidente de seu contexto original e determinou a remoção da publicação em até 24 horas

Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou, nesta quarta-feira (30), que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) retire das redes sociais um vídeo que associa uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a conteúdo sexual envolvendo crianças e adolescentes. A decisão foi tomada pela ministra Estela Aranha, que também proibiu o parlamentar de republicar o material ou divulgar conteúdos semelhantes.
A publicação questionada foi feita na terça-feira (29), após Lula comentar a resistência dos homens em realizar exames preventivos para detectar o câncer de próstata. Durante um discurso em Belém (PA), o presidente comparou os cuidados médicos masculinos com os exames realizados pelas mulheres.
Ao comentar a declaração, Nikolas publicou um vídeo no qual relacionou a fala de Lula a possíveis situações de violência sexual contra crianças. O conteúdo motivou uma ação da coligação do presidente, que alegou que o deputado retirou a declaração de seu contexto original.
Na decisão, Estela Aranha afirmou que a publicação atribuiu à fala do presidente um significado diferente daquele apresentado no discurso. Para a ministra, o conteúdo poderia levar os eleitores a interpretar que Lula estaria fazendo referência ou normalizando práticas criminosas envolvendo crianças e adolescentes.
A magistrada ressaltou que a desinformação eleitoral não se limita à divulgação de informações completamente falsas, podendo também ocorrer por meio da apresentação distorcida de fatos verdadeiros.
A decisão estabelece prazo de 24 horas para que a publicação seja removida da plataforma X, antigo Twitter. A empresa também foi notificada para informar à Justiça Eleitoral as providências adotadas. O descumprimento pode resultar em multa.
A determinação tem caráter liminar e ainda será submetida à análise do plenário do TSE.
Entenda a polêmica
A controvérsia começou após Lula falar, durante um evento em Belém, sobre a resistência masculina ao exame de próstata. Na ocasião, o presidente afirmou que as mulheres aprendem a realizar exames médicos desde cedo, enquanto muitos homens evitam os procedimentos por vergonha.
A declaração foi criticada por Nikolas Ferreira, que publicou um vídeo contestando a fala e associando o comentário a situações de abuso infantil. A campanha de Lula acionou a Justiça Eleitoral, argumentando que o deputado descontextualizou o discurso presidencial.
O caso também provocou uma troca de acusações públicas entre Lula, a primeira-dama Janja da Silva e o parlamentar durante atos de campanha. O presidente chamou Nikolas de “canalha”, enquanto Janja utilizou a expressão “piá de bosta” para se referir ao deputado. Nikolas respondeu às declarações durante um comício em Minas Gerais.
A decisão do TSE ocorre a poucos dias do primeiro turno das eleições de 2026, em meio à disputa entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL) pela Presidência da República.
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